Trata da concepção geral do espetáculo, o estilo de interpretação, as marcações, a iluminação, os figurinos, a música, a ambientação e a cenografia. Desde o antigo teatro grego, com um mínimo de cenários e ao ar livre, às elaboradas encenações modernas, o teatro incorpora as possibilidades técnicas de cada época.
Rafael, Leonardo da Vinci e Giorgio Vasari criaram cenários e figurinos, e Baldassare Peruzzi, um dos primeiros profissionais especializados surgidos no séc. XVI, tornou-se famoso por seus cenários em perspectiva.
O arquiteto italiano Aleotti planejou uma estrutura de cenário que se manteve até os tempos modernos. Inigo Jones, que recebeu grande influência de Andrea Palladio, utilizaria todo o repertório de efeitos cênicos conhecidos até o momento: cenários que deslizavam sobre trilhos, máquinas voadoras e cenários giratórios; e Giacomo Torelli foi o primeiro a empregar recursos mecânicos para a troca de cenário.
Em fins do séc. XVIII foram instaladas torres sobre o cenário, de onde se podia controlar a subida e descida de telões com cordas e roldanas.
O primeiro passo para a mecanização do cenário se deu na Alemanha, com a introdução de cenários giratórios, solos deslizantes e um céu de ciclorama iluminado por luz elétrica.
A partir do momento em que Sergei Diaghilev contratou pintores modernos para seus Balés Russos, os cenários entraram em fase de grande experimentação no desenho. Foi nos Estados Unidos que todas essas tendências se sintetizaram, nas décadas de 1920 e 1930.
Depois da II Guerra os cenários do Berliner Ensemble tiveram efeito revolucionário entre os cenógrafos de todo o mundo, por sua simplicidade e plasticidade cromática, mas a tradição romântica permaneceu na ópera italiana, com o trabalho de Salvatore Fiume, Nicola Benois e Franco Zefirelli.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
"Teatro de Arena, uma Estética de Resistência"
Izaías Almada escreveu o livro Teatro de Arena: uma Estética de Resistência.
São lembranças e opiniões de ex-integrantes do Teatro de Arena paulista e de pessoas a ele ligadas de alguma forma.
Izaías foi ator lá entre 64 e 69 e incluiu no livro entrevistas e reflexões no cotidiano do grupo.
O Arena surgiu a partir das atividades do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e da Escola de Arte Dramática (EAD), da Universidade de S. Paulo.
O crítico teatral Décio de Almeida Prado recorda o surgimento do Teatro de Arena, como era a cena cultural com o TBC e com a criação da EAD, onde foi professor do então aluno José Renato, um dos criadores do Arena.
Essa forma de teatro apresentou-se, no inicio, como uma maneira barata de encenar, já que com o palco em forma de arena não era preciso gastar com grandes cenários. Eram valorizados, nesse caso, os figurinos e a interpretação.
Com a encenação de “Eles não usam Black-tie” (58), a ideologia dos integrantes estabeleceram o hoje chamado teatro “revolucionário”.
A nova forma de teatro, voltada para a realidade do país, e a nova estética chamaram a atenção: personagens como empregadas domésticas e operários em greve antes não apareciam nos palcos. O Arena valorizou textos de conteúdo social de autores nacionais.
Vera Gertel, casada com Vianinha e ligada à Juventude Comunista, conta como era ser atriz, mulher e militante nessa sociedade.
As entrevistas mostram que o Arena não foi fruto de plano de uma pessoa. Se construiu e se modificou com o passar do tempo e acompanhou o cenário nacional e mundial. Atores e dramaturgos fizeram a criação.
“O Teatro de Arena atravessou 20 anos da história do Brasil e era natural que nesse período buscasse a cada momento orientar-se estética e politicamente de acordo com os ideais dos seus principais integrantes, homens e mulheres de esquerda, de origem pequeno-burguesa, alguns dos quais ligados ao Partido Comunista Brasileiro”, revela um trecho.
Augusto Boal cuidava da formação dos atores.
Ele idealizou os Seminários de Dramaturgia para uma ampla discussão do papel do teatro e do ator. Segundo Roberto Freire, Boal expunha conceitos e conhecimento sobre teatro, inspirado em curso de dramaturgia feito nos Estados Unidos com John Gassner.
O Arena foi críticado por seu modo de enxergar a realidade. Muitos, até hoje, acusam que foi um grupo fechado, limitado pelas próprias ideologias, que dividia o mundo entre “bons” e “maus”.
Histórias engraçadas ilustram o livro. O palco no formato de Arena dava intimidade com o público, que diversas vezes interferia com comentários ou invadindo a cena.
Era natural que o Arena desaparecesse durante a ditadura, mas não sem luta. O Arena deu vida aos musicais Zumbi e Tiradentes e ao show Opinião, no Rio de Janeiro. Montou espetáculos como O inspetor geral (Gogol), Arena canta Bahia e a Primeira Feira Paulista de Opinião.
Após 68, membros do Arena foram presos e torturados e mesmo assim os trabalhos continuaram. A Primeira Feira Paulista de Opinião, por exemplo, reuniu artistas de várias áreas para protestar contra a censura e a falta de liberdade de expressão.
Augusto Boal foi preso e torturado e as sequelas ficaram por toda a sua vida. Gianfrancesco Guarnieri diz que a censura mobilizou a classe teatral. Com o fim do Arena, os integrantes se dispersaram ou criaram outros grupos.
São lembranças e opiniões de ex-integrantes do Teatro de Arena paulista e de pessoas a ele ligadas de alguma forma.
Izaías foi ator lá entre 64 e 69 e incluiu no livro entrevistas e reflexões no cotidiano do grupo.
O Arena surgiu a partir das atividades do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e da Escola de Arte Dramática (EAD), da Universidade de S. Paulo.
O crítico teatral Décio de Almeida Prado recorda o surgimento do Teatro de Arena, como era a cena cultural com o TBC e com a criação da EAD, onde foi professor do então aluno José Renato, um dos criadores do Arena.
Essa forma de teatro apresentou-se, no inicio, como uma maneira barata de encenar, já que com o palco em forma de arena não era preciso gastar com grandes cenários. Eram valorizados, nesse caso, os figurinos e a interpretação.
Com a encenação de “Eles não usam Black-tie” (58), a ideologia dos integrantes estabeleceram o hoje chamado teatro “revolucionário”.
A nova forma de teatro, voltada para a realidade do país, e a nova estética chamaram a atenção: personagens como empregadas domésticas e operários em greve antes não apareciam nos palcos. O Arena valorizou textos de conteúdo social de autores nacionais.
Vera Gertel, casada com Vianinha e ligada à Juventude Comunista, conta como era ser atriz, mulher e militante nessa sociedade.
As entrevistas mostram que o Arena não foi fruto de plano de uma pessoa. Se construiu e se modificou com o passar do tempo e acompanhou o cenário nacional e mundial. Atores e dramaturgos fizeram a criação.
“O Teatro de Arena atravessou 20 anos da história do Brasil e era natural que nesse período buscasse a cada momento orientar-se estética e politicamente de acordo com os ideais dos seus principais integrantes, homens e mulheres de esquerda, de origem pequeno-burguesa, alguns dos quais ligados ao Partido Comunista Brasileiro”, revela um trecho.
Augusto Boal cuidava da formação dos atores.
Ele idealizou os Seminários de Dramaturgia para uma ampla discussão do papel do teatro e do ator. Segundo Roberto Freire, Boal expunha conceitos e conhecimento sobre teatro, inspirado em curso de dramaturgia feito nos Estados Unidos com John Gassner.
O Arena foi críticado por seu modo de enxergar a realidade. Muitos, até hoje, acusam que foi um grupo fechado, limitado pelas próprias ideologias, que dividia o mundo entre “bons” e “maus”.
Histórias engraçadas ilustram o livro. O palco no formato de Arena dava intimidade com o público, que diversas vezes interferia com comentários ou invadindo a cena.
Era natural que o Arena desaparecesse durante a ditadura, mas não sem luta. O Arena deu vida aos musicais Zumbi e Tiradentes e ao show Opinião, no Rio de Janeiro. Montou espetáculos como O inspetor geral (Gogol), Arena canta Bahia e a Primeira Feira Paulista de Opinião.
Após 68, membros do Arena foram presos e torturados e mesmo assim os trabalhos continuaram. A Primeira Feira Paulista de Opinião, por exemplo, reuniu artistas de várias áreas para protestar contra a censura e a falta de liberdade de expressão.
Augusto Boal foi preso e torturado e as sequelas ficaram por toda a sua vida. Gianfrancesco Guarnieri diz que a censura mobilizou a classe teatral. Com o fim do Arena, os integrantes se dispersaram ou criaram outros grupos.
José Celso Martinez Corrêa
Fundou e dirigiu o Teatro Oficina, movimento cultural de vanguarda dos anos 60 e 70 no Brasil.
Criado em 1958 por um grupo de estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP), em São Paulo, o Oficina alcançou grande êxito de público e crítica com montagens como Quatro num Quarto, de Valentin Kataiev, e Andorra, de Max Frisch, dirigidas por José Celso e por Carlos Queiroz Telles.
Em 1967, com a montagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, José Celso desenvolveu o espetáculo-manifesto, tendo sido interditado pela ditadura militar.
Na década de 70 o Oficina montou textos de Bertold Brecht, com destaque para o espetáculo Ascenção e Queda de Mahagony".
Na década de 90, o Oficina voltou a atuar em São Paulo sob o comando de José Celso, procurando manter a linha dionisíaca de espetáculo, com peças como As Bacantes e Ela.
Criado em 1958 por um grupo de estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP), em São Paulo, o Oficina alcançou grande êxito de público e crítica com montagens como Quatro num Quarto, de Valentin Kataiev, e Andorra, de Max Frisch, dirigidas por José Celso e por Carlos Queiroz Telles.
Em 1967, com a montagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, José Celso desenvolveu o espetáculo-manifesto, tendo sido interditado pela ditadura militar.
Na década de 70 o Oficina montou textos de Bertold Brecht, com destaque para o espetáculo Ascenção e Queda de Mahagony".
Na década de 90, o Oficina voltou a atuar em São Paulo sob o comando de José Celso, procurando manter a linha dionisíaca de espetáculo, com peças como As Bacantes e Ela.
Gianfrancesco Guarnieri
Nasceu em Milão, Itália.
Começou ligado ao Teatro de Arena de São Paulo, participando, como autor e ator, do trabalho de pesquisa de uma dramaturgia de temática popular e brasileira.
Escreveu, nesta linha, Eles não usam black-tie (1958 - também levado ao cinema), A Semente, Gimba, O filho de Cão, além da série Arena conta Zumbi (1965), Arena conta Bahia e Arena conta Tiradentes (1968), em parceria com Augusto Boal.
Para contornar a rígida censura da época da ditadura militar, escreveu Botequim (1973) e Um Grito Parado no Ar (1975).
Começou ligado ao Teatro de Arena de São Paulo, participando, como autor e ator, do trabalho de pesquisa de uma dramaturgia de temática popular e brasileira.
Escreveu, nesta linha, Eles não usam black-tie (1958 - também levado ao cinema), A Semente, Gimba, O filho de Cão, além da série Arena conta Zumbi (1965), Arena conta Bahia e Arena conta Tiradentes (1968), em parceria com Augusto Boal.
Para contornar a rígida censura da época da ditadura militar, escreveu Botequim (1973) e Um Grito Parado no Ar (1975).
Augusto Boal
Dramaturgo, diretor e teórico teatral brasileiro.
Famoso por seu trabalho como estimulador de uma concepção marxista da função teatral, com vivo interesse pela problemática latino-americana.
Sua obra O Teatro do Oprimido (1975) constitui um verdadeiro modelo para o teatro latino-americano de caráter político.
Famoso por seu trabalho como estimulador de uma concepção marxista da função teatral, com vivo interesse pela problemática latino-americana.
Sua obra O Teatro do Oprimido (1975) constitui um verdadeiro modelo para o teatro latino-americano de caráter político.
Oduvaldo Viana Filho
Vianinha um dos maiores teatrólogos de sua geração e do teatro brasileiro.
Morreu aos 38 anos de câncer e no leito ditou para a mãe os diálogos finais de Rasga Coração, um de seus maiores sucessos.
Foi considerado também um renovador da TV criando o programa
A Grande Família.
Sua trajetória é parecida com a de Gianfrancesco Guarnieri: Teatro Paulista de Estudantes (55) e Teatro de Arena. No Rio foi um dos fundadores do Centro Popular de Cultura, o CPC da UNE, no início da década de 60.
Morreu aos 38 anos de câncer e no leito ditou para a mãe os diálogos finais de Rasga Coração, um de seus maiores sucessos.
Foi considerado também um renovador da TV criando o programa
A Grande Família.
Sua trajetória é parecida com a de Gianfrancesco Guarnieri: Teatro Paulista de Estudantes (55) e Teatro de Arena. No Rio foi um dos fundadores do Centro Popular de Cultura, o CPC da UNE, no início da década de 60.
Plínio Marcos
Dramaturgo, romancista e contista brasileiro. Natural de Santos, São Paulo. Sua linguagem reproduz as palavras obscenas dos personagens: prostitutas, gigolôs, homossexuais, ladrões e indivíduos marginalizados.
Seus enredos apresentam situações de violência física e verbal:"[…]duvido que gente de verdade viva assim, um aporrinhando o outro, um se servindo do outro. isso não pode ser coisa direita, isso é uma bosta!".
Durante o regime militar, teve todas as peças censuradas. Escreveu Dois Perdidos numa Noite Suja (66), A Navalha na Carne (68), Prisioneiro de uma Canção (84), A Dança Final (94), O Enterro do Anão do Caralho Grande (96).
Seus enredos apresentam situações de violência física e verbal:"[…]duvido que gente de verdade viva assim, um aporrinhando o outro, um se servindo do outro. isso não pode ser coisa direita, isso é uma bosta!".
Durante o regime militar, teve todas as peças censuradas. Escreveu Dois Perdidos numa Noite Suja (66), A Navalha na Carne (68), Prisioneiro de uma Canção (84), A Dança Final (94), O Enterro do Anão do Caralho Grande (96).
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